Na década de 70, vendedores ambulantes circulavam, com reproduções de obras acadêmicas, pelo vilarejo onde eu morava, São João da Urtiga-RS. Eram tantas as perguntas durante a leitura das imagens! Como era possível pintar daquele jeito? Como representar sombras e luzes e até o reflexo de um menino na água?
Na época, ganhei o livro “Quero ser pintor” e, por meio dele, eu organizava minhas experiências com as cores, temperando-as com tons e nuanças, explorando a superfície do pano ou papel. Eu me sentia uma fazedora de cores! No livro, o menino falava sobre sua experiência, e dividia comigo a descoberta das cores.
Na minha infância, me apaixonei pela pintura! Até hoje, nenhuma experiência é mais fascinante para mim que o mundo das cores, que a surpresa das pinceladas, que a provocante e assustadora tela, papel ou parede em branco, se transformando.
Ana Ruas
Artista plástica